Zomba Prison Project: canções nascidas num presídio de segurança máxima

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A penitenciária Zomba, que fica no Malawi, provavelmente não é muito diferente das encontradas no Brasil. Originalmente construída para abrigar pouco mais de 300 pessoas, atualmente aloja mais de 2.000 presos. Desses, mais ou menos 100 são mulheres. Muitas delas vivem ali juntamente com os filhos pequenos. Água, eletricidade e comida estão frequentemente em falta. Ratos? Esses estão sempre dando as caras.

Em 2013, o produtor musical Ian Brennan, que já tinha trabalhado para bandas como o TV On The Radio, e a mulher dele, a cineasta Marilena Delli, conseguiram autorização do diretor do presídio para montar um miniestúdio para gravar os presos, com a condição de que Brennan desse para presidiários e guardas aulas de prevenção à violência.

Todas as letras foram escritas pelos presos – a maior parte deles cumprindo prisão perpétua. Os temas, claro, refletem não apenas o dia a dia em Zomba como parecer servir como uma espécie de expiação, uma revisão de suas vidas, um pedido de perdão. Entre os títulos há coisas como Don’t Hate Me (Não me Odeie) ou Give me Back My Child (Me devolva meu filho).

“Há uma forte diferença entre o lado masculino e o feminino da prisão. Os homens têm um grupo organizado e sabiam exatamente como queriam ser gravados. Já as mulheres não tinham instrumentos e diziam que não escreveriam letras. No final elas acabaram se posicionando em letras extremamente pessoas como I Kill No More” – Brennan, para o Six Degrees Records.

O resultado são os discos I Have No Everything Here, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de World Music em 2015, e I Will Not Stop Singing, lançado no ano seguinte.

Selecionei 3 canções e um minidoc que conta um pouco sobre o projeto. I Will Never Stop Grieving for You, My Wife foi escrita por um guarda de Zomba e um dos idealizadores da banda de presidiários. A música fala sobre a morte da mulher dele. Please Don’t Kill My Child está no primeiro disco do projeto Zomba e I am Done With Evil, no segundo.

 

 

 

 

 

E o minidoc:

 

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