4 rappers do Oriente Médio que são a prova de que a música empodera as mulheres

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O hip-hop sempre esteve ao lado dos fracos. Nos Estados Unidos, berço do gênero, o hip-hop foi uma maneira pela qual jovens negros que moravam nos bairros mais pobres das cidades tiveram de contar a sua realidade de desemprego, discriminação racial e violência policial e entre as gangues.

Também no Oriente Médio o hip-hop permitiu que jovens se expressassem e pudessem expor a violência diária a que são submetidos, o medo da morte, entre outros temas. No caso das mulheres, a música também permitiu que abordassem temas como a subrepresentação delas no mercado de trabalho, as políticas sociais punitivas, a questão de gênero.

Conheça 4 rappers que fazem um grande barulho por causa de sua música.

  1. Shadia Mansour  – Considerada a primeira-dama do hip-hop árabe, Shadia é um dos maiores nomes da cena musical árabe. Filha de palestinos e nascida em Londres, desde jovem participava de protestos pró-Palestina com os pais. Em 2003, se lançou como rapper. Suas letras são poderosas. A canção El Kofeyye 3arabeyye (O keffiyeh é árabe) foi feita depois que Shadia descobriu que uma empresa americana tinha feito uma versão do lenço árabe (o keffyeh) na versão azul e branco, estampado com estrelas de David (símbolo dos judeus).

         “You can take my falafel and hummus, but don’t f***ing touch my keffiyeh.”

 

 

2.  Paradise Sorouri – Nascida no Irã, mas criada no Afeganistão, Paradise Sorouri é a primeira mulher a desafiar o patriarcado afegão, trocar o hijab pelo boné e fazer rap sobre as injustiças sofridas pelas mulheres em seu país. Ao lado do namorado Ahmad Marwi, montou um duo chamado 143 Band. Não é preciso dizer que a retaliação começou logo depois. Paradise foi espancada por 10 homens na rua e quase morreu. A rapper fugiu para o Tajiquistão, mas decidiu voltar tempos depois a seu país. O tempo no exílio serviu para que ela se dedicasse à composição. Suas letras falam das meninas que são prometidas a homens mais velhos, das mulheres que têm o rosto queimado por ácido por resistir ao estupro, entre outros temas comuns a todas as que vivem no Afeganistão.

 

3. Salome MC – A história do hip-hop no Irã é interessante. O rap foi oficialmente considerado ilegal no país. Apesar disso, o mundo underground do hip-hop nunca deixou de florescer e de dar frutos. Salome MC é um dos maiores exemplos. Ela descobriu o hip-hop por meio da street art em 2002 e tornou-se um dos maiores expoentes do gênero no país. Assim como suas colegas de rap do Afeganistão e do Irã, Salome compõe letras políticas (em farsi) que falam das questões religiosas e sociais do Irã.

“Farsi é uma língua poética. E a poesia é muito importante no Irã. Todo mundo têm um livro de poemas do Hafez em casa (Hafez foi um poeta iraniano do século 14).” – ao The Guardian.

Salome atualmente vive numa pequena cidade no Japão e foi tema do documentário Salome’s Tale, da cineasta Sahar Sarshar.

 

 

 

 

 

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